Lembro de quando tinha 10 anos. Morava no 7º andar de um prédio de 10 andares. Tinha meu amigo vizinho para brincar todos os dias. Descia do prédio e ligava para todos os apartamentos que meus amigos moravam. A maioria descia. Brincávamos de tudo. Até tudo ser proibido. Não podíamos mais jogar queimado ou sete pecados, que eram nossas brincadeiras preferidas. Assim, tudo esfriou. Os dias passaram, e no pacote, os meses e os anos. Os mais velhos, já não desciam mais. Alguns se voltaram para os estudos e outros, de castigo. E como acontece na vida de qualquer um, alguns se mudaram. Saí de lá com meus 12 anos e deixei as saudades presas naquele apartamento. Só percebi hoje o quanto não deveria reclamar do que acontecia dentro do apartamento. De que um dia, não deveria ter feito as malas para tentar fugir, sentar no quinto andar e voltar logo mais. Não deveria ter estilado em algumas brincadeiras ou ter me importado se perdi em outras. Meus dez anos foram ótimos e só hoje me dou conta disso. Até todos crescerem e hoje eu rir do dia que decidi fugir e voltar do quinto andar para o sétimo novamente. Só cinco anos se passaram desde lá, e hoje reclamo do que tenho. Até me dar conta de que, no futuro, vou achar que minha adolescência foi ótima. E honestamente, eu gosto desses meus quinze anos. Parados demais. Mas a pausa não durará para sempre. O tempo se move.